Os novos desafios da área de finanças


Postado em 15 de maio de 2018

Atuar como CFO representa a oportunidade de agregar valor, promovendo o equilíbrio nas decisões que contribuem ativamente para a definição da estratégia, bem como para a excelência no desempenho operacional das organizações, principalmente em tempos de VICA (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade), como o que estamos vivendo.

Há muito, foi-se o tempo em que possuir experiência e sólidos conhecimentos de Finanças eram suficientes para o êxito da função. Cada vez mais nos vemos à volta com situações que requerem nossa compreensão de novos temas.

Sem a pretensão de apresentar um guia completo dos novos desafios para a área de finança, os quais podem variar de acordo com o segmento de mercado, porte da organização, território geográfico de atuação, momento e estratégia da organização, etc., sugiro a seguir alguns temas que os CFOs e suas equipes deverão estar atentos a partir de 2018.

Grato pela oportunidade e boa leitura:

  • Inovações tecnológicas – Importante conhecer e entender a aplicação de inovações tecnológicas para que a área de finanças seja mais produtiva e decisiva, bem como entender de que forma as inovações tecnológicas podem impactar os negócios. Entre outros faz-se necessário aprender sobre: Blockchain, Computação Cognitiva, Robótica, Cloud, Advanced Analytics, Big Data, Processamento in-memory, Design Thinking, IoT – Internet of Things.

 

  • Fusões e aquisições – Existe claramente um potencial de reaquecimento em 2018, portanto é crítico entender que importância esse tema representa para a estratégia da organização, de que forma eventuais movimentos do mercado podem impactar o negócio, e que ações devem ser implementadas no sentido de maximizar esse potencial. Gerar valor ao fortalecer o caixa da organização é sempre uma boa ideia e pode mostrar-se crucial para transações de sucesso.

 

  • Compliance – Muito além da necessidade de aderir às normas e leis locais (ex: eSocial, NF 4.0), Compliance continuará sendo tema de alta e crescente relevância para as organizações, tanto no sentido de alcançar ou preservar o patamar de boa reputação como em termos de maximização do valor através de Governança, controles internos e gerenciamento de riscos superiores. É importante que o tema seja incorporado na cultura da organização e exemplificado por seus líderes, em especial o CFO, que deve atuar como Evangelizador do tema.

 

  • Mais dados, menos intuição – Independentemente do tamanho da organização seguramente existe um conjunto de dados disponíveis (não necessariamente de forma estruturada, o que pode significar um projeto prioritário para 2018) cuja análise frequente e disciplinada permite melhor conhecimento do negócio e maior entendimento das correlações críticas entre métricas, atividades e comportamentos que auxiliam na avaliação do desempenho e nas projeções futuras, consequentemente tornando mais robusta e fundamentada a tomada de decisões, principalmente no que se refere à alocação de recursos.
  • Compartilhamento de informações – O CFO tem a grande oportunidade de promover dentro das organizações uma maior transparência com o compartilhamento de informações, visando maior integração e colaboração entre as áreas através do entendimento comum sobre o progresso realizado, objetivos e oportunidades. Vale a pena lançar mão de todos os recursos à disposição (E-mail, Blogs, Rede Social Interna, Vídeos, Coffee-Talks, Town Hall Meetings) para que a mensagem alcance e engaje o maior número de colaboradores.

 

  • Gestão estratégica de pessoas – Diante dos temas expostos anteriormente é necessário revisitar a equipe de finanças (e porque não dizer de toda a organização) e assegurar que o perfil do grupo e dos indivíduos está alinhado com os desafios e a estratégia da organização. Abrir espaço para inovação e fomentar a experimentação, o aprendizado contínuo e o empowerment dos colaboradores pode se provar um investimento de excelente retorno quando realizado com consistência.

 

Seguramente existem muitos outros temas que frequentarão a mesa do CFO durante 2018, para os quais uma boa rede de contatos (altamente recomendada) será de grande valia na busca contínua de maximizar o potencial da nossa função que se posiciona estrategicamente na conexão entre a realidade dos números e a dinâmica dos negócios.

Tércio Garcia é Atualmente é Vice-Presidente de Finanças, CFO para a América Latina da Cengage