A 4º revolução Industrial e a geração de novos postos de trabalho.


Postado em 15 de maio de 2018

Falar de Revolução Industrial é falar de transformação. Sim, toda revolução transforma os modos de vida, de interação social, economia, cultura, ética, etc. Pode-se facilmente constatar este fato pelas mudanças na moda, nas leis, na tecnologia, nas relações trabalhistas, nos modelos de financiamento, nos tipos de negócios criados que sempre acompanham uma revolução. Não é diferente na 4ª Revolução Industrial.

 

Vivemos  uma grande transformação tecnológica que já está transforma a maneira como entendemos e/ou encaramos as imensas oportunidades para o futuro. Há dois anos ouvíamos que o carro autônomo estaria pronto para comercialização em torno de 20 anos. Hoje já vemos tratores autônomos no mercado. Sim, estamos mais próximos do que se imaginava, ao utilizarmos novas tecnologias. O trabalho colaborativo é mais um exemplo da revolução que vivemos, na qual facilmente conecta-se milhares de pessoas para explorar uma idéia, um novo produto, uma nova enzima usando nanotecnologia. A interação profissional através de ferramentas colaborativas já transformou a maneira como pesquisadores trocam experiências e profissionais de empresas privadas se relacionam e resolvem problemas.

 

Toda essa transformação tem como pano de fundo pessoas e profissionais inovadores em suas áreas de excelência o que exige mudanças no perfil dos profissionais, com ou sem conhecimento técnico. Empregos que demandam mais qualificação são criados e outros simplesmente deixam de existir. A área de tecnologia é a propulsora de grandes inovações no mundo atual, seja acelerando simulações de modelos matemáticos e decisões baseadas em Inteligência Artificial, seja através da ótica de precisão que possibilita análises mais realistas de componentes e estruturas de materiais.

 

Claro, tudo isso precisa ocorrer em um ambiente seguro para evitar fraudes, desastres provocados por ações mal intencionadas. Também é necessário certa padronização para que os diversos componentes de uma solução, ao envolver empresas diferentes, possam se conectar e atingir o objetivo esperado. Em 2014, foi criado o Consórcio de Internet Industrial (IIC) nos Estados Unidos, para acelerar este processo e fomentar a cola­boração entre os cerca de 250 associados de 30 países. Inspirados no modelo do IIC fundou-se, em 2016, a Associação Brasileira de Internet Industrial (abii.com.br) para divulgar e fortalecer a Internet Industrial no país.

 

E no Brasil, como está este processo? Atrasado. O nível de robotização das indústrias nacionais é insignificante se comparado com países desenvolvidos que investiram muito para tornarem suas indústrias relevantes. Os cenários econômico e político não dão sustentação e foco para o país se destacar como uma potência dentro desta revolução. Precisamos de políticas estratégicas de fomento e incentivo, investimentos em pesquisas público-privadas, parcerias com governos e empresas ao redor do planeta. Precisamos capacitar os recursos humanos, novos e já formados: engenheiros, técnicos, administradores,  líderes, analistas de sistemas, profissionais de automação industrial, estatísticos e analistas de dados para trabalharem com gigantescas massas de dados. Com tudo isso, talvez o Brasil poderá pular algumas etapas e acompanhar o que de melhor tem acontecido no mundo dentro da 4ª Revolução Industrial.

 

Miguel Lopes Filho é CIO/Líder de TI da Motorola Solutions na América Latina.