Startups: como inovar sem reinventar a roda?


Postado em 26 de julho de 2017

O empreendedorismo no Brasil é um vírus que vem dominando cada vez mais o nosso cenário empresarial. A cada ano, uma avalanche das chamadas empresas startups entram no mercado. São Paulo é o líder deste movimento, seguido por Minas Gerais e o Rio de Janeiro.

Startups, criadas a partir da inovação, normalmente associada à transformação digital e, consequentemente, à tecnologia da informação, traz modelos de negócios diferenciados que as permitem crescer com velocidade muito acima da média tradicional de mercado. Enquanto um negócio tradicional pode crescer de 10 a 20% em um ano, vê-se startups crescendo a mais de 200%.

Contudo, um ditado antigo parece valer também neste novíssimo ambiente: “quanto mais alto, maior o tombo”. Traduzindo, muitos destes novos negócios, por vezes bastante promissores, caem por razões tão simples quanto crises societárias: atuação comercial ineficaz, falta de mecanismos de gestão e governança, pouca atenção aos riscos. Estas entre outras questões, tão antigas quanto os próprios ditados, fazem startups com crescimento meteórico, mesmo após as rodadas de investimento, simplesmente desaparecerem.

Para ajudar as startups com estas questões, núcleos de apoio aparecem quase com a mesma velocidade. As também chamadas de comunidades startups, como o “Cubo”, patrocinada pelo Banco Itaú ou a Endeavor em São Paulo, “San Pedro Valley” na região do bairro de São Pedro e a FIEMGLabs, ambas em Belo Horizonte, Agência PUC-PR no Paraná, entre outras, todas inspiradas na gigante Google associam estas novas empresas com fóruns, palestras, programas de mentoria, investidores – anjos ou mortais – além de um local físico, para que possam, com a troca de ideias e apoio de profissionais com experiência, ultrapassar estes desafios.

Mas tudo isso ainda parece insuficiente. Ao estudar este ecossistema, ainda vemos muita energia e pouco resultado. Este fato nos leva a pensar que nós, empresas de consultoria, temos um papel importante a cumprir. Possuímos experiência e conhecimento suficientes para ajudar estas empresas a serem bem-sucedidas. Startups não precisam reinventar a roda para agregar ao modelo de negócios inovador uma gestão robusta, com estabilidade e perenidade. Nós podemos ajuda-las. Mas o que falta para isso acontecer?

O obstáculo para que empresas de consultoria possam definitivamente entrar neste mercado crescente é o nosso modelo de negócios ainda baseado em premissas do século passado, que não são aceitas pelos empreendedores por ser muito caro e envolverem processos muito demorados. Por outro lado, falta a estes novos entrantes a humildade para entender que precisam deste conhecimento para que possam sobreviver. E que este conhecimento tem valor agregado. Não bastam boas ideias, ousadia e investimento. É preciso gestão, vendas, governança e, principalmente, a consciência que a aquisição deste conhecimento é necessário.

Novos modelos de prestação de serviço de consultoria – mais baratos, mais próximos destas empresas e mais acessíveis – associados ao entendimento do empreendedor de que ele precisa buscar ajuda e que nem tudo é gratuito como as comunidades de startups, por vezes, fazem parecer, conduzirão a um novo patamar na evolução destas novas empresas.

 

Sobre o autor:

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Enio Klein é CEO da DOXA Advisers e gerente geral da operação brasileira da SalesWays. Também é professor nas disciplinas de Vendas e Marketing da Business School São Paulo.