Grau de otimismo do empresário com a economia aumenta e mudança na política econômica é improvável


Postado em 7 de junho de 2017

Em evento realizado pelo WTC Business Club de São Paulo, economistas, especialistas e empresários discutem o cenário econômico brasileiro. Para 81% dos empresários presentes, o grau de otimismo aumenta e mercado se prepara para novo ciclo de crescimento.

São Paulo – O setor de empresas de médio porte tem sido um dos mais influentes e importantes para o momento no qual o Brasil se insere no contexto econômico global. Entre seus desafios, cada vez mais integrados com os do momento brasileiro, está o entendimento do contexto econômico brasileiro, cada vez mais dinâmico e altamente competitivo. O país nunca apresentou solidez tão consolidada de empresas do “Middle Market”.

Por tal complexidade e importância, especialistas, economistas, donos e altos executivos de empresas dos mais diversos segmentos de médio porte se encontraram para compartilhar as principais práticas, quais os aspectos que mais influenciam seu crescimento e como conseguir se profissionalizar em momentos de incerteza, como o vivenciado. O debate ocorreu durante o evento “Desafios e Contextos do Middle Market”, que ocorreu no WTC Business Club, em São Paulo.

Fusões e aquisições como alavanca catalisadora do crescimento

Um dos principais indicadores para se constatar as boas práticas de uma empresa é o assédio que ela sofre por fundos e empresas internacionais, com intuito de adquiri-la parcial ou inteiramente, além da oportunidade de integra-la a uma estratégia global. No que se refere ao mercado de médias empresas, a realidade não é diferente. Conhecido por ter baixo controle de informações, a profissionalização se mostra crucial para alavancar o crescimento.

Obter o controle das informações, reduzir as contingências como pagamentos de tributos ou despesas informais atrapalham na transparência da empresa frente aos seus stakeholders, como também frente ao possível investidor. De acordo com Antonio Américo, Fundador da BRAdvice – Boutique paulista de M&A, dentro dos 785 projetos de Fusão ou Aquisição realizadas no Brasil em 2016, 89% ocorreram com empresas com faturamento até 500 milhões de reais, ou seja, dentro do setor de Midlle Market.

O processo de Fusão ou Aquisição pode ser engajado por razões como a busca por uma maior capitalização financeira e de gestão propriamente dita, como também para a mitigação de riscos, quando o empresário busca liquidez imediata: “É uma forma de a empresa ter um salto qualitativo em gestão e se preparar melhor na busca de novos mercados” – afirma Antonio Américo.

Cenários Macroeconômicos para o Middle Market

Esse aumento na busca por processos de fusões e aquisições se integra ao reaquecimento do mercado e na retomada econômica, a qual será mais visível a partir do segundo semestre de 2017. Em pesquisa realizada entre os presentes, para 81% o grau de otimismo dos empresários frente à economia brasileira e sua recuperação é alta. A grande questão será reconhecer, através de indicações do mercado, quando e em qual ritmo a retomada se dará em si.

Tal aspecto se dá principalmente pela equipe econômica atual que descarta sofrer mudanças em casos de alterações no poder político nacional, a qual se mostra mais experiente e propicia um maior fortalecimento das instituições brasileiras. Isso vai ao encontro da recuperação também dos ânimos dos agentes econômicos, os quais, de acordo com o economista de Macroeconomia do Santander – Rodolfo Margato, incidem sobre a confiança do consumidor, impulsionando o reaquecimento do varejo e do mercado interno como um todo, além da indústria, propiciando um cenário favorável à exportação.

Rodolfo vai além: “Daqui para frente o debate é sobre o ritmo da retomada do crescimento, não mais sobre o fim da crise”. O Brasil, segundo o economista, apresenta fortalezas que fazem do país um ambiente interessante, uma vez que apresenta amplo mercado consumidor, pouca vulnerabilidade da moeda externa, uma vez que é credor internacional e terceiro maior detentor de papeis da dívida norte-americana, além de um dos maiores receptores líquidos de IED do mundo.

Assim, o momento se mostra importante para a reestruturação econômica do país. Dentro do cenário empresarial, as médias empresas desempenham um papel crucial nesta recuperação, propiciando, através de acordos, aquisições ou fusões muito mais do que recursos, mas sim, como explica o Presidente do Conselho de Administração da TRX – Carlos Braga, uma maior rede de contatos, estratégia empresarial profissional, governança e experiência executiva. A consequência desses fatores é a formação de uma empresa mais inovadora, contribuindo para um cenário empresarial mais íntegro e sustentável.