A Conectividade como oportunidade e saída para o Setor Automotivo Brasileiro


Postado em 1 de junho de 2017

Em evento sobre o setor automotivo, especialistas e altos executivos falam da importância de olhar o futuro do veículo no Brasil, suas oportunidades e sua integração com demais setores.

São Paulo – O setor de veículos brasileiro reflete o momento financeiro que o Brasil vivencia. Com a queda no consumo do mercado interno, há a consequente diminuição no volume de vendas de maneira geral. O ano de 2017 se apresenta como o patamar mais baixo em 11 anos, por mais que haja moderação do mercado frente às quedas anteriores.

Tal encolhimento tem efeitos diretos não somente nas concessionárias e montadoras, mas também na grande cadeia existente de indústrias produtoras de autopeças e componentes. Além, o setor tem movimentação importante na balança comercial brasileira, como também sendo fundamental na geração de empregos e renda – ambos influenciados pela queda na produção.

Diante da queda, por mais que já se enxergue a retomada de seu crescimento – uma vez que o faturamento, muito impulsionado pela venda de SVUs e Picapes Grandes, aumentou em referência ao ano passado, sem falar na queda da taxa de juros – o setor tem buscado repensar seu modelo de negócios e percorrido novas rotas.

Por isso, especialistas e altos executivos de empresas de tecnologia, telecomunicações, montadoras e autopartistas se reuniram para pensar quais as oportunidades e saídas para alavancar o crescimento do setor. O debate ocorreu durante o evento “WTC Fórum do Setor Automotivo”, que ocorreu no WTC Business Club, em São Paulo.

Um novo ecossistema integrado

Há, sem dúvidas, um movimento global e irrestrito na geração de novos ecossistemas, catalisados pela cada vez maior efemeridade da tecnologia, contribuindo para unir mercados e, de outra forma, gerar novos negócios e novas cadeias.

Na realidade do setor automotivo, não é diferente. Motivada não somente pela queda na produção de veículos e pela integração tecnológica, mas também pela mudança no comportamento da sociedade, há uma convergência de indústrias. Para o Head of Automotive para Brasil da KPMG e um dos especialistas presentes – Ricardo Bacellar – assistimos a uma mudança irreversível no padrão de consumo global.

Até 2030, o ecossistema do setor de veículos apresentará outro mapa – cada vez mais voltado a ser um provedor amplo de serviços vinculados à mobilidade, mas também um agregador de experiências para seus consumidores. Nesse aspecto a conectividade surge como novo ambiente de oportunidades e saída a fim de alavancar o crescimento do setor como um todo.

Mudança na concepção de valor pelo cliente

A conectividade dos veículos não só se apresenta como uma das 7 mega tendências do setor, mas também como uma realidade com alto poder de integração. De acordo com o Vice-Presidente da Qualcomm – Marcos Lacerda – a conectividade terá influências em diversas frentes, como propiciar maior aderência aos modelos autônomos e elétricos, além de incentivar cada vez mais a economia compartilhada e a integração do carro e seu usuário com a cidade.

O carro conectado trará recursos ao usuário, alterando sua concepção de valor e de importância. Um carro autônomo, por princípio, não colide com outros. Os modelos atuais de carros híbridos/elétricos geram a não-necessidade do consumo de combustíveis. Da mesma forma, tecnologias de monitoramento do veículo possibilitam maior acessibilidade, além de oferecer maior segurança ao usuário.

Um novo padrão, novas oportunidades e desafios

A conectividade – mais aderente ao novo comportamento do usuário – se evidencia como saída para a integração com novas tecnologias, além de catalisar o desenvolvimento de mercados emergentes.

Para Fabiano Yamazaki, que coordena a área de serviços de valor adicionado da Claro, o setor apresenta oportunidades em diversos mercados, como seguradoras, empresas de rastreamento, locadoras de veículos, car sharing e telecomunicações. Da mesma forma, os desafios são diversos, como a estrutura das novas cadeias e a integração dos stakeholders dentro deste novo ecossistema.

Assim, evidencia-se uma alteração não só na estrutura do setor no país, mas também uma possível saída para uma geração maior de empregos, um novo desenho do modelo de negócios a ser criado entre as cadeias de valor. Além, define-se um novo nicho de oportunidades a serem geradas, cooperando não só para a criação de novas empresas e de áreas em organizações já existentes, mas de um ambiente propício à sustentabilidade econômica.