A saúde dos executivos brasileiros


Postado em 1 de outubro de 2016

Entrevistamos o Superintendente Corporativo do Hospital Samaritano, Luiz De Luca, pouco adepto ao modelo padrão de respostas teóricas, politicamente correto, que trouxe sua visão pratica sobre os desafios acerca da saúde dos executivos brasileiros:

De Luca – “O executivo (de forma bem generalista) por sua natureza, vive um ambiente de tomada de decisões constantes, no âmbito profissional, momentos de transições, em mundo de transformações constantes, exigindo constante capacitação do executivo e balanço com vida pessoal. O tempo todo, ele precisa realizar uma modulagem de trabalho e de sua gestão, considerando mecanismos de disciplina, regularidades, mudanças de cenários político-econômicos e mudanças populacionais, para uma adaptabilidade profissional e executiva.
O executivo passado se orientava a modelos existentes (algoritmos, report de eficiência e estruturação mais cartesianas. No modelo atual, o executivo se depara com modelos mais flexíveis, funções claras mas de formas não definidas, precisando de adaptabilidade.

A informação está cada vez mais compartilhada e, de forma constante, a mobilidade vem contribuindo para que esse compartilhamento seja cada vez mais presente e rápido. É tanta informação e de maneira tão espalhada que o executivo se vê necessitado de uma logica para agregar e organizar toda a informação.

Small datas, big datas, sistemas analitics são as coqueluches do momento. O que antes era modelo preditivo, hoje é alinhado com conectivos e o executivo vai aprendendo a fazer a parte relacional, tendências que devem interagir às tomadas de decisão, criando-se um modelo mental e comportamental diferente, administrando o tempo para acessar planilhas e fluxos, participar de reuniões e eventos, dentre outros, quase algo como inteligência artificial.

Hoje nos deparamos com horários indefinidos de trabalho, pois há informações em todos os lugares, e o executivo precisa estar atento e ver formas de compartilhá-las e, ainda, combinar a jornada sua de trabalho com tempo pessoal, entretenimento e práticas esportivas, alinhando o relaxamento/diversão, com o seu papel na organização que atua, seus contatos sociais, as informações mercadológicas, os conflitos a se resolver..

Por isso, cada vez mais, o executivo tende a tentar alinhar trabalho e lazer, como participar de Tastings ou assistir um Jogo de futebol em eventos corporativos. Muitos ainda conseguem alinhar a questão familiar, participando de eventos corporativos com toda a família e/ou um campeonato esportivo (como corrida).

Aqueles profissionais que foram treinados no modelo cartesiano, quando se deparam com esse modelo cognitivo, não conseguem se adaptar ao modelo e rapidamente se tornam obsoletos. Como não se prepararam ou estudaram para as novas atividades e processos que antes não existiam, acabam por atrasar o processo de decisão, influenciando na execução e estratégia da organização.

Executivos que superaram essa fase naturalmente dão espaço para se permitir errar, entendendo que o medo de errar inibe a ação, faz parte do crescimento errar.

Muitos por tanta cautela de errar, perdem tanto tempo mirando no alvo que quando vão lançar o dardo, já o perderam, pois o mesmo é dinâmico, assim como as decisões de hoje o arriscar torna-se prática natural.

Tratando diretamente das doenças atuais, a depressão, principalmente em jovens executivos, é a que mais deve se tomar cuidado, por ter grande probabilidade de geração em ambientes de grandes transformações que vivemos hoje. A qualidade de sono, alimentação, pratica de esporte e desenvolvimento de habilidades multissensoriais são aliados para se manter saudável e altamente adaptável à realidade.

O ambiente familiar é o equilíbrio de tudo isso e o que te traz a plenitude e a sensação de complementar as conquistas, pois as coisas se fecham em termos pessoais.

Por isso, a família tem de estar inserida em todo esse processo, criando a relação com complementariedade e um ambiente no qual todos crescem e aprendem juntos. Uma vez que a relação de trabalho e o aumento das informações dentro de uma nova realidade cognitiva, estão presentes 24 horas por dia e o executivo não consegue elencar suas prioridades, dentro da sua gestão do tempo. Se for necessário, inserir a família em todo o processo, sem utilizar aquela relação de sair do trabalho turbulento e chegar em casa em seu “porto seguro”.

Inclusive essa relação turbulência x porto seguro pode causar ainda mais stress e provocar depressão, pois vêm a tona sensações do tipo “não quero mais ir para a turbulência”, “não sei se conseguirei voltar ao porto seguro”, querendo atracar seu barco para fora da empresa. É necessário criar um barco seguro no qual a família está também inserida, que seja independente da turbulência.

Dentro desta ideia, até mesmo em viagens de negócios, por mais turbulentas que possam ser, a família estará com você, podendo-se até criar dois momentos: a de desafios e a de calmaria. O momento de calmaria será, inclusive, mais gostoso, pois a família estará junto. Essa é a grande mudança: tem que se estar junto no “barco seguro”. As jornadas, não serão de medo, pois a cada nova turbulência, uma oportunidade de superação e encontro de melhores caminhos surgirá. Não precisa-se pensar que está feliz somente nas férias, tudo passa a ser uma coisa só.”

55 anos, 13 maratonas, centenas de meia maratonas..

Luiz De Luca é adepto da prática de atividades esportivas junto com sua família, gerando os benefícios citados em sua entrevista.

Além do bem estar (corpo físico e metabolismo), gera em seu ambiente pessoal a sensação da disciplina, vida mais saudável, objetivo de concluir uma prova, o planejamento, incorporando a corrida até na viagem familiar, onde conhecem lugares e vivem seus momentos de lazer.
Ele e a esposa são maratonistas. Sua filha de 10 anos, observando os pais, já dá seus primeiros passos no esporte. Ela entende que a corrida faz parte da vida dos pais e convive bem com isso. O esporte trás tudo isso, sendo ferramenta fundamental para equilibrar a vida nos dias de hoje, com os desafios de carreira que todos estão inseridos.

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