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Brasil já tem termelétrica movida a capim elefante
E o primeiro consumidor dessa energia limpa é o Grupo Pão de Açúcar

Unir o conceito de sustentabilidade com geração de energia alternativa e preço baixo foi o principal objetivo do projeto Sykué, que tem entre seus sócios Ana Maria Diniz, acionista do grupo Pão de Açúcar. A executiva compartilhou detalhes dessa iniciativa durante o último Comitê de Sustentabilidade do WTC Clube de Negócios.

 

Segundo ela, a geradora de energia limpa a partir do capim elefante recebeu investimentos de cerca de R$ 100 milhões e foi instalada no município de São Desidério, no sertão baiano, localidade com as condições ideais para o plantio dessa cultura. Mesmo na Bahia, a usina poderá abastecer todo o País por meio do sistema de integração e compensação da rede de distribuição. “Entregamos a energia gerada à rede local Coelba e, pelo sistema de compensação, ela chega a 40 lojas do Grupo Pão de Açúcar das regiões Sul e Sudeste”, explicou Ana Maria.

 

Como tudo começou

Em 2006, quando o projeto Sykué começou a ser pensado havia no Brasil um cenário bastante promissor para a área de energia. Em primeiro lugar foi considerada a carência de energia do País. Além disso, durante o “apagão” em 1999 o Governo criou o mercado livre (negociação direta com consumidores) e o mercado cativo (a partir de leilões governamentais). A estabilidade desse mercado e suas regras claras foram um atrativo a mais para esta oportunidade de negócio. Outro estímulo foi o incentivo dado pelo Governo para a produção de até 30 megawatts de energia alternativa e limpa até 30 MGW.

 

O principal objetivo era produzir energia renovável a partir de biomassa de uma maneira limpa e totalmente não poluente. Por isso, depois de muito estudo chegou-se ao capim elefante, espécie mais energética de capim. Outros diferenciais são: sua capacidade em atender a usina durante o ano todo, ser 100% renovável, grande eficiência fotossintética o que gera rápido crescimento da planta, baixo custo de produção e alta produtividade.

 

Outra questão importante no projeto foi a conexão com a rede de transmissão. “Escolhemos uma área onde a rede da Coelba passa literalmente por dentro da fazenda”, comentou Ana Maria. “Dessa forma, conseguimos reduzir ainda mais os custos de transmissão barateando muito o preço da energia”.  

 

Mais uma boa notícia

O capim elefante é considerado um cabon neutral (neutraliza o carbono). Ana Maria explicou que a planta produz cerca de 5% de carbono ao ser queimada, mas esse resíduo é “mais do que absorvido pela planta para seu próprio crescimento”.  Por isso, o projeto permite ainda a obtenção de crédito de carbono no montante de 1 milhão de toneladas/ano, que poderão ser vendidos no mercado internacional, gerando lucros adicionais aos da venda de eletricidade no mercado livre.


 

Reportagem de Regina Jorge

22/09/08

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